Rastreio colorrectal
O exame padrão para o rastreio do cancro colorrectal é a colonoscopia, que é não só diagnóstica como também preventiva. Os pólipos pré-cancerosos ou adenomatosos podem ser removidos para uma possível "cura". Outros regimes de rastreio aceitáveis incluem a pesquisa de sangue oculto nas fezes, a rectossigmoidoscopia flexível e os clisteres opacos baritados com duplo contraste. Estes últimos dois regimes devem ser obtidos com intervalos de 5 anos, enquanto a colonoscopia é recomendada com intervalos de 10 anos.
Uma avaliação dos benefícios das diversas medidas preventivas classificou as medidas para o rastreio do cancro colorrectal como elevadas, tendo em consideração a carga de doença prevenida assim como a relação custo-eficácia do rastreio. Um trabalho de seguimento confinnou os benefícios no que diz respeito à salvação de vidas, estimando que o rastreio do cancro colorrectal poderia prevenir 18.800 mortes por ano nas pessoas com idade igualou superior a 50 anos. A relação custo-eficácia de proporcionar a estes indivíduos a escolha de opções para o raslreio do cancro ascendeu a aproximadamente 11.900 dólares (7.728 euros) por ano de vida ganho.
Embora a prevenção do cancro colorrectal seja, tal como pode ser demonstrado, custo-eficaz, muitos candidatos potenciais - menos de metade das pessoas com idade igualou superiora 50 anos - não estão a ser rastreados. Por que motivo? A falta de aderência às recomendações do médico no que respeita à realização de colonoscopia constitui uma explicação. No entanto, cerca de 25% dos adultos com idade igualou superior a 50 anos não se recorda de ter recebido um conselho deste tipo. Outras razões incluem a ausência de cobertura pelos seguros de saúde, um factor que reduz o número de pessoas que são rastreadas para O cancro colorrectal, assim como para os cancros da mama, da próstata e do colo do útero.
O constrangimento e o receio da dor associada à colonoscopia constituem uma barreira significativa, a qual deve procurar ser ultrapassada pelo médico de família individualmente com cada doente. Os doentes devem ser informados de que a utilização da sedação permite que a intervenção seja bem tolerada. Se esta técnica puder ser realizada com uma sedação mínima, o doente será capaz de visualizar a intervenção num monitor, de formular perguntas e de responder activamente às instruções do médico.
Numa avaliação prospectiva da preferência do doente em relação aos exames utilizados na imagiologia do cólon, 614 indivíduos para os quais o rastreio se encontrava indicado foram submetidos a uma colonoscopia, a um clister opaco com duplo contraste e a uma colonografia por tomografia computorizada. Eles foram inquiridos sobre a dor, O constrangimento, as dificuldades com a preparação do intestino, a satisfação com os testes e outras medidas. A maior parte destas pessoas demonstraram preferir a colonoscopia e estavam mais disposta a repetirem este exame, uma vez que ele era menos doloroso do que os outros testes.
A informação e o encorajamento podem desempenhar um papel importante na diminuição dos receios do doente relativamente à intervenção. Recorde que a demonstração e o aval de Kalie Couric persuadiram milhares de pessoas a serem submetidas a uma colonoscopia. O denominado efeito de Couric que se seguia à sua colonoscopia, realizada na televisão no ano 2000, aumentou o número de colonoscopias realizadas em mulheres de todo o país.
Será que existe um limite etário superior a partir do qual a colonoscopia não é recomendada para o rastreio. Um estudo recente conclui que, embora a prevalência do cancro aumente com a idade, a colonoscopia utilizada para o rastreio de pessoas com idade igualou superior a 80 anos resulta em apenas 15% do ganho esperado na esperança de vida observado nos doentes mais jovens. Isto é mais provavelmente secundário à presença de situações de comorbilidade significativas nesta população de doentes. Em consonância, os autores recomendam que a colonoscopia seja realizada nos indivíduos muito idosos depois de uma ponderação cuidadosa dos potenciais benefícios e riscos, assim como das preferências do doente.